Ode ao meu fracasso
- 2 de ago. de 2024
- 1 min de leitura
Atualizado: 4 de ago. de 2024
Sonhei. Subi. Flutuei.
Gostaria de escrever que de cabeça, eu desci. Seria poético.
Mas a verdade é que me protegi bem.
Durante a queda me blindei com tudo que tive acesso. Cresci.
Agora, eu rosno, e me protejo.
Agora, eu tomo a frente, e seguro as pontas.
Agora, eu compreendo, e sigo de pé.
Mas os 'post its' (me lembrando meu valor) e livros de autoajuda tomaram conta da casa.
Qualquer lenha que mantenha acesa minha frágil e contínua chama.
E que chama persistente é essa. Acesa a todo momento, mesmo em minha escuridão mais profunda. Escuridão essa que visitei por meses a fio no último ano. Gélida. Solitária. Mas a chama estava lá. Um azul intenso, tão vívido quanto se era possível ser. Tão puro quanto a chama mais equilibrada. Um centro de gravidade distante, quase que não visível, em um universo sem som, denso e mórbido.
Foi no fracasso que tive acesso à essa força da natureza. Fui lembrada mais uma vez que sou mensageira da esperança.
Agora, que fui libertada de minha prisão posso enfim ser. Sentimentos, que antes me sufocavam como nuvens tóxicas paralisantes e delirantes, agora seguem seu curso e não podem me comandar mais. Enfrentar grandes crises com os antidepressivos em dia é muito melhor.
Posso enfim reconhecer o valor do meu último fracasso.

Comentários